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Publicidade Infantil Não!

O tema de publicidade dirigida a crianças se situa entre o discurso que prega a “liberdade” para veículos de mídia e o discurso que alguns veículos manipulam de forma extremamente habilidosa, levando a crer que se esses veículos tiverem o mínimo de regulamentação em cima do que podem ou não veicular, estaremos voltando ao negro tempo ditatorial.

É notória a manipulação de crianças pela publicidade, e especialmente no sentido de tornarem meninos consumidores de ‘carros’ e meninas em consumidoras de produtos relacionados à beleza. Fico com a sensação de que alguns poucos anos atrás isso acontecia em menor magnitude. A crueldade em que são postos filhos e pais no campo de batalha da publicidade dirigida às crianças é exposta no documentário “Criança, a Alma do Negócio”, que você pode ver aqui.

Descobri a existência do documentário através do site http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/, abaixo-assinado online, que possui um excelente resumo do documentário, que em 10 minutos nos espanta ao nos mostrar como a publicidade está estrategicamente formando consumidores sem poder crítico. Consumidores são cidadãos e cidadãos também votam, assim como eu e você. Se você se preocupa com isso, entre no site acima e participe do abaixo-assinado.

09/12/2009 at 10:56 pm Deixe um comentário

Políticos Japoneses

Segunda-feira passada foi divulgada a notícia de que o ministro da agricultura do Japão havia se suicidado em seu apartamento um dia antes de ter que depor em uma espécie de CPI sobre a possível aceitação de suborno. Foi encontrado enforcado de pijamas em sua casa. Será uma espécie de harakiri?

Harakiri, ou, mais corretamente, Seppuku, é um ritual suicida cometido por samurais. O ato consistia em ajoelhar-se e enfiar uma Tanto (espécie de adaga, ou alforje curto) no lado esquerdo da barriga e cortar até o lado direito, deixando as víceras expostas a fim de mostrar sua pureza de caráter. Este ritual de suicídio era cometido por samurais que falharam a servir seu senhor ou perderam sua honra por motivos quaisquer.

O Seppuku faz parte do Bushido, código de conduta de samurais. O fato de cometer seppuku tinha o significado de bravura e o guerreiro podia terminar seus dias com seus erros esquecidos e sua reputação engrandecida.

O fato do político ter se suicidado parece fazer alusão a este ritual. As culturas orientais e ocidentais, apesar de todo o encurtamento de distâncias causado pelo fenômeno da globalização e internet, ainda são bastante distantes.

Qualquer pessoa que tenha praticado alguma arte marcial oriental, até mesmo o Judô, que já nem se parece mais com arte marcial e sim com um esporte, pode perceber o respeito e o cuidado com os protocolos presentes em sua cultura.

Até costumo pensar para mim mesmo que uma das razões para o Japão ter conseguido se reerguer depois de Hiroshima e Nagasaki deva ter sido a sua cultura extremamente responsável onde os atos são medidos também na esfera do coletivo e não apenas da maneira auto-centrada a qual estamos acostumados a pensar. Se esta tese faz sentido não cabe aqui discutir pois me falta matéria-prima de conhecimento até para expor uma tese dessa.

Mas o fato é que toda essa história de honra e suicídio pelo político japonês me voltou a memória para o contato que tive com a cultura japonesa: Akira Kurosawa, o Judô e o Aikido. Alguns protocolos simples presentes em artes marciais ensinam um pouco do respeito ao próximo e aos professores, por exemplo. É muito interessante vivenciar isto. Quebra alguns paradigmas da nossa cabeça ocidental.

E um dos caminhos para viver um pouco isso é o cinema de Akira Kurosawa. Para quem quer então vão três dicas de filmes do diretor japonês. Dois deles dirigidos por ele e um último filmado já após sua morte mas com roteiro de sua autoria. O terceiro é de direção de Takashi Koizumi.

Sonhos

Dividido em 8 capítulos, sonhos é um filme que geralmente muda a maneira com que as pessoas enxergam o cinema (pelo menos a mim mudou). A temática gira em torno da relação existente entre o homem e a natureza e como o homem tem destruído gradativamente o ambiente ao seu redor. Cada sonho possui cerca de 15 minutos de duração e foram inspirados em sonhos que Akira Kurosawa teve ele mesmo. Alguns dos sonhos são de uma beleza extrema e outros de uma feiúra inquietante, coisas que realmente incomodam. É arte em um de seus mais altos patamares.
Ran

Ran é um filme bastante cansativo mas ao mesmo tempo bastante interessante. O esforço de assisti-lo recompensa com uma grande obra de arte e muita “comida pro cérebro”. Vale ressaltar que é uma sessão de mais de 3 horas de filme então esteja preparado. O filme se passa no Japão feudal e é baseado na obra de Shakespeare King Lear. Os personagens foram transportados do ambiente inglês ao ambiente japonês. Este é um dos filmes que possuem um final que me intriga até hoje. Até hoje ainda não entendi este final muito bem, apenas possuo algumas interpretações vagas e vazias. Se alguém quiser me compartilhar sua visão deste final é só me escrever.

Depois da Chuva

Depois da chuva foi um roteiro que Akira deixou escrito mas não chegou a filmá-lo. Um de seus assistentes, Takashi Koizumi então o filmou. Dos três filmes é certamente o mais fácil de assistir. O filme conta a história de um ronin – um samurai sem senhor – e sua esposa que impossibilitados de continuar sua viagem por conta da cheia de um rio, ficam juntos com outrass pessoass presos em uma estalagem. É uma história singela que retrata uma mudança de era – a era dos samurais acabara e toda uma história de honra agora dá lugar à pobreza e decadência. Mas não é um filme triste. Apesar disso ele contem sim o seu lado humorístico. Além disso transborda de Beleza (com b maiúsculo) e mostra esperança apesar de todos os pesares. Afinal, a chuva há de passar.

30/05/2007 at 2:23 pm 3 comentários


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