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Namasté

Reeditado

Na obra “O Anticristo”, Nietzche, aparentemente contrariando o título da obra, dá uma grande contribuição à real busca da mensagem de Jesus de Nazaré, O Cristo. A obra ataca na verdade Paulo, sua ideação e criação da igreja, apontando o caminho Daquele como um de características budísticas e pleno de paz e serenidade.

Tenho observado que, de fato, inteligência e budismo é uma combinação bastante frequente. Não que catolicismo e burrice também o seja, mas entre meus amigos ateus algumas idéias zen budistas ecoam de forma muito mais profunda que qualquer idéia da doutrina católica e protestante /evangélica ( esta última normalmente nem é cogitada…nada mais razoável)

Por que razoável? Acredito que desde a cisma do oriente, quando a igreja ocidental passou a adotar características de empresa no sentido de planejar estrategicamente suas ações rumo a obtenção de mais poder, foi criando e assinando sua propria sentença de morte. Qualquer leitura descomprometida mas minimamente crítica da história da igreja ocidental confere ao leitor uma sensação misto de decepção e repulsa seguida de descrédito e total indiferença. Como pode tantos papas ao longo de 1000 e tantos anos dizerem e desdizerem, perseguir, matar, faturar, gerar alienação no povo, tudo isso em nome de “deus”? O leitor realmente crítico tende a se afastar e questionar profundamente tudo que lhe foi passado de religião.

Mais que isso, meus amigos inteligentíssimos e ateus, pessoas que efetivamente buscam o conhecimento e ( assim espero) a verdade, são praticamente blindados a idéias que minimamente tangenciem a palavra religião. É assunto morto, corolário do dia em que eles assumiram a maturidade do senso crítico sobre as coisas verdadeiras e mentirosas.
Claro, afinal, somos uma sociedade majoritariamente católica e invadida por igrejas escandalosamente mercantilistas. Essas igrejas, na ânsia de conseguir mais fiéis, desde a contra reforma católica no século XV, têm literalmente rebolado, alterado quase tudo em suas liturgias: música, costumes e até mesmo a formação dos padres. Com isso tem afastado incrivelmente muitos possíveis interessados francamente em religião.

Você costuma ver muita propaganda de BMW, Rolls Royce, Panerai? Pois é. Eu também não, já de Volkswagem, Fiat e Technos… Quando se oferece demais algo, qualquer coisa, pode ser um produto, uma idéia ou mesmo uma pessoa, naturalmente tendemos a rejeitá-los ou pelo menos desconfiar de seu valor.
A igreja tem “pecado” neste item. Muito.

Infelizmente, há um terrível ônus não só para a igreja com esta prática. Tantas são as trapalhadas das instituições que deveriam fomentar a busca espiritual que amigos ateus desenvolveram e perpetuam a blindagem a assusntos espirituais já mencionada. Está se tornando senso comum e sinal de inteligência ser ateu. Curioso como todos eles tem profunda admiração pela natureza. Filósofo e antropólogo romeno Mircéa Eliade mostra muito bem como a natureza sempre foi a grande identificação do homem com o Divino. Existe uma identificação natural, mas não reconhecida.

Cito Mircea e Nietzche pelo fato de terem sido grandes estudiosos relativamente recentes, terem pesquisado e considerado culturas orientais e ocidentais, e por ver neles homens que percorreram a fundo a filosofia e a psiquê do homem. Tanto eles como muitos outros refutaram o maniqueísmo e personificação da figura de “deus” da igreja ocidental. Tanto eles como muitos outros também reconheceram no homem um aspecto transcendental, metafísico ou chamemos “divino” indissociável; a idéia de Nietzche de super-homem é visivelmente um homem que sai de si, se integra e se identifica com uma imensidão natural. Mircea mergulha na noção intrínseca de Sagrado presente no homem desde os mais remotos registros históricos ( o homem moderno tende a esquecer que 4 mil anos é um piscar de olhos na história da humanidade).

O sagrado, divino ou espiritual é instrínseco ao homem desde sempre. O ônus citado( um parágrafo acima) é a quebra nesta naturalidade de busca e reconhecimento das questões sagradas. Como se o Divino só ocorresse quando se desse atenção e aceitasse este. É aqui que o ateu tende a escorregar. O Sagrado ou Divino( para evitar a palavra que personifica um Ser) sempre existiu e existirá, muito, muito, mas muuuito antes que a ciência( ferramenta única dos ateus) sonhou em existir. A conclusão que o Sagrado-Divino-Transcendental não existe está muito mais calcada nas idiotíces homéricas que a igreja ocidental cometeu ao longo de 2000 anos do que na tola condição da ciência provar ou não se Deus existe. No dia que conseguir esta hercúlea proeza a ciência deixará de existir pois terá chegado (por um caminho infinitamente mais longo) ao entendimento do mundo das Causas, uma das tantas maravilhas proporcionadas por um estado contemplativo de profunda meditação…repito, “uma das tantas”.

Desde quando a igreja separou o homem da divindade inerente a ele mesmo, pondo o “pai” lá longe a julgar e oprimir, vivemos uma busca por uma unidade, um elo perdido; é a unidade que existe entre tudo que é sagrado e as “outras coisas”. O tal ônus dificulta, limita e por vezes evita um mar de experiências que gerariam insights, estados mentais e físicos inéditos. Estes estados são responsáveis por uma melhor e mais aprofundada percepção da vida, aquela… que o pessoal lembra de considerar sagrada.

O antiquíssimo pensamento Iogue repete singela, sábia e serenamente um mesmo cumprimento há milênios. O significado dele é: ” O Deus que habita em mim cumprimenta o Deus que habita em você”.
Isso conclui a idéia.

Namasté

Texto originalmente postado por Renzo Torrecuso em http://maodupla.blogspot.com/

21/01/2008 at 4:43 am 7 comentários


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