Posts tagged ‘massificação’

Publicidade Infantil Não!

O tema de publicidade dirigida a crianças se situa entre o discurso que prega a “liberdade” para veículos de mídia e o discurso que alguns veículos manipulam de forma extremamente habilidosa, levando a crer que se esses veículos tiverem o mínimo de regulamentação em cima do que podem ou não veicular, estaremos voltando ao negro tempo ditatorial.

É notória a manipulação de crianças pela publicidade, e especialmente no sentido de tornarem meninos consumidores de ‘carros’ e meninas em consumidoras de produtos relacionados à beleza. Fico com a sensação de que alguns poucos anos atrás isso acontecia em menor magnitude. A crueldade em que são postos filhos e pais no campo de batalha da publicidade dirigida às crianças é exposta no documentário “Criança, a Alma do Negócio”, que você pode ver aqui.

Descobri a existência do documentário através do site http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/, abaixo-assinado online, que possui um excelente resumo do documentário, que em 10 minutos nos espanta ao nos mostrar como a publicidade está estrategicamente formando consumidores sem poder crítico. Consumidores são cidadãos e cidadãos também votam, assim como eu e você. Se você se preocupa com isso, entre no site acima e participe do abaixo-assinado.

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09/12/2009 at 10:56 pm Deixe um comentário

Habacuc e o cachorro

Um indivíduo chamado Guillermo Vargas Habacuc criou, em agosto de 2007 uma instalação que deu o título de Exposición nº 1. Essa instalação consistia em um cachorro amarrado em um canto de parede. O cachorro não era alimentado e ficaria ali naquela condição até morrer. Agora em 2008 foi convidado para novamente expor sua “obra”. Como todos sabemos, indivíduos como Guillermo existem aos montes. Se julgam artistas e crêem que o fato de se julgarem artistas os habilita a considerar arte qualquer coisa que vomitem conceitualmente (ou até literalmente, pode-se imaginar). Pode-se tentar argumentar invocando a vanguarda e até dar nomes pomposos, chamar de arte conceitual, dizer que os artistas de vanguarda sempre foram incompreendidos – como se o fato de não ser amplamente apoiado confira qualidade por si só ao seu excremento intelectual.

O problema da vanguarda vai um pouco além, eu acredito. A vanguarda é e sempre vai ser importantíssima. O problema é que os artistas, depois do século XX, de Citizen Kane e da indústria cultural perdeu, creio eu, o elo com o passado. Onde está a arte? O que é arte, hoje em dia, aliás? Este pseudo-artista é produto de uma sociedade confusa, que consome “produtos” achando que é “arte” e que se busca e não se encontra. Para ilustrar a importância da vanguarda basta pensar em: Bach, Mozart, Beethoven, Van Gogh, Kandinsky, Picasso, Dali, Shakespeare, Göthe. Qualquer lista aleatória de grandes artistas de nossa história vem mostrar sua importância e isso é incontestável. Mas o que destruiu a vanguarda? O que é que se deu para que tenhamos chegado ao ponto de não termos, praticamente, ou pelo menos não chegar quase ao nosso conhecimento, mesmo em tempos de internet, onde a informação atravessa o mundo em questão de milissegundos, arte avant-garde verdade?

Se olharmos para trás, e aqui falo com extrema presunção, veremos que há um fio condutor na história da arte. As quebras de paradigmas, a criação de novas linguagens e ruptura com o passado sempre vêm, obviamente, atreladas a um profundo conhecimento de toda a Tradição (sim, com T maiúsculo) por aqueles que subvertem as regras vigentes. Exemplos disso não faltam em toda a história. Depois de um século XX que assistiu a duas guerras mundiais, guerra-fria e diversas guerras locais em nome do famigerado equilíbrio de poder, que assistiu a rápida escalada do quarto-poder, que assistiu a dominação geral da economia de mercado como paradigma atual e tido como doutrina a ser seguida cegamente e em decorrência disso, assistiu, também, a igual dominação da Indústria Cultural como dissipadora de produtos que costumam se confudir às vezes com arte mas na maioria das vezes com lixo, temos um novo cenário, inédito em nossa história. Tudo isso criou em nós comportamentos bastante distintos: o homem moderno (pós-moderno?!) e sua relação com a arte de seu tempo (e por que não?! com a arte de toda a história) difere radicalmente do homem de todas as outras épocas. O homem desde a Renascença sempre consumiu a vanguarda artística pois aquela era a única que falava exatamente na linguagem que ele podia compreender.

E o que ocorreu? Rádio, TV, Jornais, Gravadoras e Cinema.

Há um fenômeno no homem do século XX que Nikolaus Harnoncourt nos chama a atenção em seu livro “O Discurso dos Sons”. O homem moderno perdeu o vínculo com a arte do seu tempo. O consumo de arte agora se resume a ouvir trechos de músicas. Sabe aquele pedaço da música que você sente os pelos arrepiarem? Os olhos das poucas pessoas de nosso tempo que ainda se interessam por arte se voltaram aos séculos passados e somente com a finalidade passatempesca de repetir os pontos culminantes das obras, pelo menos na música — a arte de maior vulto. Como causa deste fenômeno acredito que tenhamos dois pontos: a ultra-radicalização da música erudita do século XX com a Segunda Escola de Viena (Berg, Webern e Schönberg) e companhia limitada posteriormente (Pierre Boulez, serialismo integral) e o florescimento do cinema e das trilhas sonoras orquestrais com arranjos de fácil consumo (por utilizar uma linguagem musical já estabelecida e até já datada). Creio que o homem tenha perdido o contato com a vanguarda justamente nesse lapso de tempo, do entreguerras até meados dos anos 60, correndo paralelo ao florescimento da música pop aliada à mídia (rock inglês, por exemplo).

Com tanta degeneração da arte chegamos ao extremo de um pseudo-artista acorrentar um cachorro e deixá-lo morrer de fome invocando estar fazendo arte. Não está! E por que ainda dão atenção a esses pseudo-artistas? E onde estão os artistas de verdade?! Vivemos numa sociedade que possui pouquíssima cultura. Esse é o problema. Vivemos numa era de pessoas que não conhecem a Literatura nem a Música, tampouco a Pintura. Não conhecem, acredito, pelos motivos expostos acima, o elo foi perdido. Desta maneira como esperar que consigam distinguir a arte da não-arte? Antes que isso possa aconter o homem precisa recuperar seu vínculo com a Arte. Sem ele vamos ter cada vez mais farsas se passando por artistas.

28/04/2008 at 10:01 pm 3 comentários


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