Posts tagged ‘cultura’

Música na Madrugada: Iannis Xenakis, Metastaseis

Xenakis é um compositor e arquiteto grego da segunda metade do século XX. Metastaseis (Transformações Dialéticas) é uma peça que me evocou sensações inusitadas. Nunca tinha sentido ‘medo’ em sua forma mais ‘natural’ do que quando da audição atenta a Metastaseis. A tensão é constante e crescente. Pode ser que haja algum vínculo natural-evolutivo entre tensão e instintos de sobrevivência. Não sou pessoa adequada para falar sobre mas há referências que talvez queiram apontar – mesmo que de longe – para essa direção.

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17/12/2009 at 4:38 am Deixe um comentário

Woody Allen sobre Bergman

Mestre falando de Mestre. Genial. Obrigatório assistir.

15/12/2009 at 1:26 am Deixe um comentário

Trip to Asia: The Quest for Harmony

Trip to Asia cover imageA busca pessoal em meio às pressões em nome da perfeição na vida de músicos de orquestra. Um filme de Thomas Grube, filmado durante a turnê da Ásia da Filarmônica de Berlim (Sir Simon Rattle, regente), retrata a luta de egos e a jornada interior a que os músicos estão expostos em um documentário bastante diferente.

Você pode ler uma crítica no The Guardian aqui.

14/12/2009 at 1:43 am Deixe um comentário

Mônica Salmaso, amanhã, em Natal

A fantástica cantora Mônica Salmaso se apresenta amanhã, em Natal, na comemoração dos 8 anos do projeto Nação Potiguar. Junto a ela vêm Teco Cardoso e Nelson Ayres. A entrada é franca e os ingressos podem ser pegos amanhã na Pax Turismo. Abaixo, Beatriz e A volta do malandro.

07/12/2009 at 9:21 pm Deixe um comentário

Quartetos

Borodin, Quarteto No.2, 3o mov.

Mozart, Quarteto “Dissonante”, 1o mov. (lembrar que se trata de uma obra do século XVIII, percebam a dissonância!)

Beethoven, Grosse Fugue

Bartók, Quarteto No.5, 1o mov.

Schoenberg, Quarteto No.4, 1o mov.

Webern, Quarteto Op.28

09/10/2009 at 4:33 am Deixe um comentário

Boris Berezovsky, virtuose

Há alguns meses, esbarrei em vídeos dos Estudos de Execução Transcedental de Liszt. O pianista chamava a atenção pela clareza, precisão e agilidade com que tocava. Tratava-se de Bóris Berezovsky. O vídeo que vi faz parte de um DVD onde ele toca o ciclo dos Estudos, ininterruptos, ao vivo. Berezovsky sua em bicas e não é para menos, visto o esforço necessário para a execução do que se considerar o que há de mais difícil tecnicamente em termos de execução pianística. Não haja relação direta entre dificuldade e qualidade. Claro que não. Mas há algo de escopofílico em assistir a um virtuose executando obras dificílimas. O vídeo, na ocasião, foi o de número 8, Wilde Stagd,

e a marcação de andamento na partitura diz Presto furioso e pode ter certeza de que é isso que Berezovsky entrega aos ouvintes.

Há inúmeras outras gravações de Berezovsky dignas de nota. Suas gravações dos estudos de Chopin juntamente com os arranjos Godowsky estão também disponíveis no youtube, para a nossa felicidade. Ver o arranjo de Godowsky do Estudo Revolucionário (Opus 10, número 12) é de assombrar qualquer um:

Destaco primeiramente Estudos por serem de caráter mais técnico e permitirem a rápida observação do virtuosismo de Berezovsky, mas isso não significa que não haja lirismo como contraponto de uma técnica monstruosa. Pelo contrário. Há um arranjo do próprio pianista para a famosa peça orquestral de Modest Mussorgsky (Uma noite no Monte Calvário) que é simplesmente assombrosa. A tarefa de reduzir do excesso de recursos que uma orquestra possui para as limitações timbrísticas e físicas (afinal, são apenas 10 dedos e há um limite de distância entre eles, obviamente) de um piano é das mais difíceis e o resultado que ele consegue é, incrível.

Por final deixo a gravação mais lírica que encontrei no youtube. Berezovsky toca o Rach 2 (aqui apenas o segundo movimento, mas há tudo por lá, busquem!).

05/06/2009 at 5:54 pm Deixe um comentário

Políticos Japoneses

Segunda-feira passada foi divulgada a notícia de que o ministro da agricultura do Japão havia se suicidado em seu apartamento um dia antes de ter que depor em uma espécie de CPI sobre a possível aceitação de suborno. Foi encontrado enforcado de pijamas em sua casa. Será uma espécie de harakiri?

Harakiri, ou, mais corretamente, Seppuku, é um ritual suicida cometido por samurais. O ato consistia em ajoelhar-se e enfiar uma Tanto (espécie de adaga, ou alforje curto) no lado esquerdo da barriga e cortar até o lado direito, deixando as víceras expostas a fim de mostrar sua pureza de caráter. Este ritual de suicídio era cometido por samurais que falharam a servir seu senhor ou perderam sua honra por motivos quaisquer.

O Seppuku faz parte do Bushido, código de conduta de samurais. O fato de cometer seppuku tinha o significado de bravura e o guerreiro podia terminar seus dias com seus erros esquecidos e sua reputação engrandecida.

O fato do político ter se suicidado parece fazer alusão a este ritual. As culturas orientais e ocidentais, apesar de todo o encurtamento de distâncias causado pelo fenômeno da globalização e internet, ainda são bastante distantes.

Qualquer pessoa que tenha praticado alguma arte marcial oriental, até mesmo o Judô, que já nem se parece mais com arte marcial e sim com um esporte, pode perceber o respeito e o cuidado com os protocolos presentes em sua cultura.

Até costumo pensar para mim mesmo que uma das razões para o Japão ter conseguido se reerguer depois de Hiroshima e Nagasaki deva ter sido a sua cultura extremamente responsável onde os atos são medidos também na esfera do coletivo e não apenas da maneira auto-centrada a qual estamos acostumados a pensar. Se esta tese faz sentido não cabe aqui discutir pois me falta matéria-prima de conhecimento até para expor uma tese dessa.

Mas o fato é que toda essa história de honra e suicídio pelo político japonês me voltou a memória para o contato que tive com a cultura japonesa: Akira Kurosawa, o Judô e o Aikido. Alguns protocolos simples presentes em artes marciais ensinam um pouco do respeito ao próximo e aos professores, por exemplo. É muito interessante vivenciar isto. Quebra alguns paradigmas da nossa cabeça ocidental.

E um dos caminhos para viver um pouco isso é o cinema de Akira Kurosawa. Para quem quer então vão três dicas de filmes do diretor japonês. Dois deles dirigidos por ele e um último filmado já após sua morte mas com roteiro de sua autoria. O terceiro é de direção de Takashi Koizumi.

Sonhos

Dividido em 8 capítulos, sonhos é um filme que geralmente muda a maneira com que as pessoas enxergam o cinema (pelo menos a mim mudou). A temática gira em torno da relação existente entre o homem e a natureza e como o homem tem destruído gradativamente o ambiente ao seu redor. Cada sonho possui cerca de 15 minutos de duração e foram inspirados em sonhos que Akira Kurosawa teve ele mesmo. Alguns dos sonhos são de uma beleza extrema e outros de uma feiúra inquietante, coisas que realmente incomodam. É arte em um de seus mais altos patamares.
Ran

Ran é um filme bastante cansativo mas ao mesmo tempo bastante interessante. O esforço de assisti-lo recompensa com uma grande obra de arte e muita “comida pro cérebro”. Vale ressaltar que é uma sessão de mais de 3 horas de filme então esteja preparado. O filme se passa no Japão feudal e é baseado na obra de Shakespeare King Lear. Os personagens foram transportados do ambiente inglês ao ambiente japonês. Este é um dos filmes que possuem um final que me intriga até hoje. Até hoje ainda não entendi este final muito bem, apenas possuo algumas interpretações vagas e vazias. Se alguém quiser me compartilhar sua visão deste final é só me escrever.

Depois da Chuva

Depois da chuva foi um roteiro que Akira deixou escrito mas não chegou a filmá-lo. Um de seus assistentes, Takashi Koizumi então o filmou. Dos três filmes é certamente o mais fácil de assistir. O filme conta a história de um ronin – um samurai sem senhor – e sua esposa que impossibilitados de continuar sua viagem por conta da cheia de um rio, ficam juntos com outrass pessoass presos em uma estalagem. É uma história singela que retrata uma mudança de era – a era dos samurais acabara e toda uma história de honra agora dá lugar à pobreza e decadência. Mas não é um filme triste. Apesar disso ele contem sim o seu lado humorístico. Além disso transborda de Beleza (com b maiúsculo) e mostra esperança apesar de todos os pesares. Afinal, a chuva há de passar.

30/05/2007 at 2:23 pm 3 comentários


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