Música na Madrugada: Brahms, Sonata para Piano No. 2


Primeiro e Segundo Movimentos


Terceiro Movimento


Quarto Movimento

13/12/2009 at 4:03 am Deixe um comentário

Valsa com Bashir

Valsa com Bashir, filme de 2008 sobre a Guerra Civil Libanesa de 1982, é, encurtando a descrição, um filme sobre o sofrimento psicológico causado pela guerra e a estupidez humana.

Em animação, o filme acompanha a vida de um cineasta, que, após conversa com um velho amigo, começa uma busca interior por suas memórias da guerra, inexistentes. Ao longo de sua busca, ele viaja para o encontro de velhos amigos que serviram juntamente a ele no exército. Os diálogos e relatos de cada uma das pessoas com quem ele se encontra são duros e em todos eles podemos perceber uma marca comum: as cicatrizes deixadas pela guerra, o que me fez chegar à conclusão de que o filme se passa muito mais em um nível psicanalítico do que em qualquer outro nível.

É impossível assistir a Valsa com Bashir e não querer compará-lo com pelo menos outros dois filmes: Apocalipse Now (Coppola) e Nascido Para Matar (Kubrick). Não, Valsa com Bashir não apresenta fortes semelhanças com nenhum desses dois filmes. A linguagem e o nível de granularidade dos acontecimentos é muito menor em ‘Valsa’. O palco para a encenação de ‘Valsa’ é a cabeça de um homem perplexo por não haver bloqueado todas as suas memórias da guerra. Embora Nascido Para Matar e Apocalipse Now flertem com um dos caminhos de ‘Valsa’ – o da estupidez humana de que se trata a guerra, esteticamente, como já falei, eles funcionam em níveis bastante distintos.

No fim do dia, Valsa com Bashir foi o filme que mais efetivamente me pareceu representar a ideia anti-guerra e o moto-perpétuo da máquina de intolerância humana frente ao diferente em um nível universal, enquanto que Apocalipse Now e Nascido Para Matar ficam presos a um contexto específico (Vietnã). Trata-se de um filme duro e que força a reflexão. Uma ótima escolha, se você está disposto.

12/12/2009 at 10:16 pm Deixe um comentário

Rezar surte algum efeito?

Ontem à noite li em alguma esquina dessas da internet a seguinte citação: “Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor.” (Prov. 19.21). Tive, imediatamente, o impulso de responder mas hesitei. Se alguém é feliz acreditando nisso, que tenho eu com isso, não é mesmo?

Acordei hoje pensando na frase e lembrei, meio que por acaso, do brilhante texto de George Carlin ‘Religion is Bullshit’, onde põe no lugar de deus o ator Joe Pesci, famoso pela interpretação de papeis de caras durões no cinema. Fala, hilariamente, que “Joe Pesci gets things done (…) [and] it’s amazing what you can achieve with a baseball bat”. Carlin termina falando que a mesma proporção de vezes em que suas preces são atendidas por Joe Pesci é a de que suas preces foram atendidas por deus, 50%. No final, trata-se de uma questão de puro acaso. O que acontece é que há justificativa para tudo. Se deus não atende, é porque não era de sua vontade. Se “atende”, é a ‘Graça de Deus’. O fato é que toda a valoração de se uma prece foi atendida ou não e se ela foi atendida por um deus ou pelo curso normal dos eventos,  é uma valoração humana e sujeita à natureza inclinada à fé e ao faz-de-contas dos homens.

Leiamos novamente a citação inicial. Lembro claramente, da época de catecismo, que deus possui um Plano Divino. Acredito que, desta citação de Provérbios, se faça alusão a justamente este plano. Se deus é perfeito e tudo que cria é perfeito, conclui-se que seu plano também deva ser perfeito. ‘Plano Divino’ possui, de fato, toda a pompa de ser algo perfeito.

Continuemos.

A conclusão natural é a seguinte: não adianta rezar. Quem somos nós para querermos interferir no plano divino de deus? E qual é o sentido de um plano divino se ele está susceptível ao egoísmo de cada um dos cristãos?, esse povo que trata sua divindade como Help Desk. Partindo novamente do fato de deus ser uma entidade perfeita e considerar-se, como ponto pacífico, que dessa entidade emanou tudo, inclusive as regras de funcionamento de todas as ciências que o homem até agora estabeleceu, há, também, uma via por onde rezar não faz sentido. Qual é o sentido de uma entidade criar leis naturais perfeitas só para ser obrigada a mudá-las para satisfazer as vontades mesquinhas de um mero ser humano?

Nos dois casos, quebra de leis naturais e ruptura do curso do plano divino, os próprios acontecimentos (a quebra) já seriam sinalizadores de que nem as leis nem o plano são perfeitos. Ora, se são perfeitos, não devem estar sujeitos a mudanças, pois não necessitariam. Por que rezar, então? Rezar não faz sentido algum. Bem, façamos justiça, acredito que haja efeitos sob a mesma pessoa que reza mas, neste caso, devemos notar que a grande parte das pessoas que rezam efetivamente acreditam que uma entidade terceira (deus, no caso) irá fazer suas compras, arranjar-lhe um namorado, um marido, matar alguém de doença, proteger políticos corruptos (…) ad infinitum.

Há, além do mais, um outro questionamento moral. Suponhamos que deus atende a preces por um instante só. Se ele atende, porque não acaba com a fome da África? Veja bem que não estou aqui dizendo que o suposto deus é o responsável por isso. A pergunta é sã e faz sentido. Lembre que crianças que passam fome também rezam. Por que o problema delas não é solucionado? E você aí que acredita no poder da reza. Por que você acha que deus deveria ouvir você em vez de uma criança que passa fome? Você se considera tão melhor e mais necessitado de ajuda do que um ser humano faminto e tratado como lixo? Se você usa a lógica, já percebeu que rezar não faz nenhum sentido. E essas pessoas que rezam deveriam ter vergonha de fazê-lo, sabendo da existência de pessoas com necessidades muito mais urgentes. É uma questão de ética.

P.S.: Não há casos de amputados cujo membro se regenerou. Tenho certeza que há amputados cristãos que rezam e pedem isso em suas preces. Por que será que até hoje nenhum caso de regeneração de membros foi registrado?

11/12/2009 at 2:24 pm 3 comentários

Música na Madrugada: Black Hole Sun por Brad Mehldau Trio

Sempre fui um grande defensor, mesmo que totalmente em segredo durante tanto tempo, de que Black Hole Sun é uma grande música mas por motivos que nos impedem de assumir alguns gostos por pura autocrítica exacerbada, guardei para mim mesmo essa opinião durante bastante tempo.

O fato é que Black Hole Sun É uma grande canção. Não estou aqui falando de letra, até porque o próprio Chris Cornell, em entrevista, já afirmou que a letra não tem nenhum sentido mesmo. Falo de MÚSICA. Para quem não conhece, trata-se de uma música da banda Soundgarden, do movimento grunge. A música foi lançada no álbum Superunknown, de 1994 e possui um clipe bem bizarro. Inclusive tive meu primeiro contato com a faixa por meio do videoclipe, na época em que a MTV ainda era uma TV que passava música. Aos que querem ouvir a música original, favor clicar aqui. O link abre em outra janela e é o vídeo do clipe, bastante bizarro. Perceba especialmente a melancolia que a harmonia transparece.

O que me motivou a assumir facilmente o gosto por Black Hole Sun foi a descoberta de um arranjo belíssimo pelo pianista Brad Mehldau. Brad, que já fez arranjos de Paranoid Android e Exit Music, do Radiohead, por exemplo, é um grande músico de jazz e quebra a fronteira do preconceito que em geral há dos músicos “acadêmicos” com relação ao rock e à música popular em geral.

O que sugiro como audição são duas performances da canção: uma é pelo próprio compositor e cantor original – Chris Cornell – em voz e violão (belíssima interpretação) e a outra é uma performance ao vivo na Espanha do Brad Mehldau Trio (Brad Mehldau-piano, Larry Grenadier-baixo e Jeff Ballard-bateria) executando Black Hole Sun. Abaixo, aos que são fortes de espírito.


Chris Cornell, voz e violão


Brad Mehldau Trio, Parte 1


Brad Mehldau Trio, Parte 2

11/12/2009 at 1:10 am Deixe um comentário

Publicidade Infantil Não!

O tema de publicidade dirigida a crianças se situa entre o discurso que prega a “liberdade” para veículos de mídia e o discurso que alguns veículos manipulam de forma extremamente habilidosa, levando a crer que se esses veículos tiverem o mínimo de regulamentação em cima do que podem ou não veicular, estaremos voltando ao negro tempo ditatorial.

É notória a manipulação de crianças pela publicidade, e especialmente no sentido de tornarem meninos consumidores de ‘carros’ e meninas em consumidoras de produtos relacionados à beleza. Fico com a sensação de que alguns poucos anos atrás isso acontecia em menor magnitude. A crueldade em que são postos filhos e pais no campo de batalha da publicidade dirigida às crianças é exposta no documentário “Criança, a Alma do Negócio”, que você pode ver aqui.

Descobri a existência do documentário através do site http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/, abaixo-assinado online, que possui um excelente resumo do documentário, que em 10 minutos nos espanta ao nos mostrar como a publicidade está estrategicamente formando consumidores sem poder crítico. Consumidores são cidadãos e cidadãos também votam, assim como eu e você. Se você se preocupa com isso, entre no site acima e participe do abaixo-assinado.

09/12/2009 at 10:56 pm Deixe um comentário

Mônica Salmaso em Natal no projeto Nação Potiguar

Não sei bem se é o método padrão de entrada no palco subir entrando-se pelo meio da plateia mas foi assim que Mônica Salmaso, Teco Cardoso e Nelson Ayres subiram ao palco da edição comemorativa dos 8 anos de existência do projeto – demonstrando simplicidade. Ao abrirem a apresentação com Melodia Sentimental, do nosso grande Villa, Salmaso, Cardoso e Ayres arrebataram o público, que, em absoluto silêncio, como há muito tempo não presenciava – e até me arrisco a dizer que talvez nunca tenha visto, em verdade -, absorvia a densa massa de conteúdo sonoro. Salmaso, ela própria, comentou acerca do fato da plateia da noite ter entrado num clima tão forte de troca de energia com os músicos.

Da riqueza dos timbres, o cuidado nos arranjos, a sensibilidade e aparente simplicidade da execução e da cumplicidade demonstrada pelo trio, podemos concluir seguramente que o espetáculo que ocorreu hoje está dentre aqueles que mais honram a música popular brasileira. O trio, que está em nova turnê após a turnê anterior “Noites de Gala, Samba na Rua”, turnê essa que contava com uma formação maior (o grupo Pau Brasil, que é formado adicionando-se três outros membros: Rodolfo Stroeter – baixo, Paulo Belinatti – violão, e Ricardo Mosca – bateria), como Mônica Salmaso explicou ao público, iniciou com a ideia de ser uma versão reduzida do “Noites” mas no decorrer dos ensaios veio a ser algo diferente. Do repertório original do “Noites”, apenas “Construção” e “Ciranda da Bailarina”, ambas de Chico, permaneceram. Todo o resto foi preenchido por novos arranjos de outro repertório. Dentre eles, um duo de sopro e piano, cujo título da obra não me recordo, mas de autoria de Nelson Ayres, e uma performance solo de Salmaso, que cantou “Véspera de Natal”, de Adoniran Barbosa – um dos pontos altos. Não faz muito sentido se falar em destaque em um espetáculo desta magnitude, visto que tudo está em um nível tão alto que soa até bobo colocar obras de arte para competirem entre si. Entretanto, muito provavelmente por ignorância deste que escreve, não pude deixar de me espantar positivamente com a belíssima composição de Nelson Ayres, “Noite”, cuja melodia Salmaso relatou ter ficado em sua cabeça durante semanas quando de ouvi-la pela primeira vez.

Acredito que estive diante de uma das performances mais belas que verei em minha vida. Não se confunda aqui com grandiosidade, grandiloquência ou qualquer outra noção mais cara à magnitude da coisa. O que vi hoje foi algo que transcende em muito a mera magnitude técnico-musical. Vi algo que estampa beleza em todos os níveis. O grau de consciência desses artistas é imenso e, a julgar pela que nos foi demonstrado, descer até o nível de detalhamento que eles desceram (ou subiram, melhor!) é mais do que uma escolha artístico-performática mas, acima de tudo, um ato de respeito à Música e à Cultura Brasileira. O canto de Mônica Salmaso, os sopros de Teco Cardoso e o percutir de notas do piano de Nelson Ayres estão carregados de zelo e beleza. O trabalho do trio merece a maior divulgação possível.

09/12/2009 at 2:37 am 1 comentário

Música na Madrugada: Argerich toca Brahms, Rapsódia Alemã Op.79 No.2

Sem mais palavras.

08/12/2009 at 2:59 am Deixe um comentário

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