Archive for dezembro, 2009

Música na Madrugada: Iannis Xenakis, Metastaseis

Xenakis é um compositor e arquiteto grego da segunda metade do século XX. Metastaseis (Transformações Dialéticas) é uma peça que me evocou sensações inusitadas. Nunca tinha sentido ‘medo’ em sua forma mais ‘natural’ do que quando da audição atenta a Metastaseis. A tensão é constante e crescente. Pode ser que haja algum vínculo natural-evolutivo entre tensão e instintos de sobrevivência. Não sou pessoa adequada para falar sobre mas há referências que talvez queiram apontar – mesmo que de longe – para essa direção.

17/12/2009 at 4:38 am Deixe um comentário

Evolução uma teoria falsa?!

Um leitor escreveu a PZ Myers, do Pharyngula, uma carta o repreendendo por passar à frente tudo que diz respeito à Evolução das Espécies. E ele começa sua resposta com:

I am often chided by morons.

O resto aqui.

16/12/2009 at 6:38 pm Deixe um comentário

Woody Allen sobre Bergman

Mestre falando de Mestre. Genial. Obrigatório assistir.

15/12/2009 at 1:26 am Deixe um comentário

Trip to Asia: The Quest for Harmony

Trip to Asia cover imageA busca pessoal em meio às pressões em nome da perfeição na vida de músicos de orquestra. Um filme de Thomas Grube, filmado durante a turnê da Ásia da Filarmônica de Berlim (Sir Simon Rattle, regente), retrata a luta de egos e a jornada interior a que os músicos estão expostos em um documentário bastante diferente.

Você pode ler uma crítica no The Guardian aqui.

14/12/2009 at 1:43 am Deixe um comentário

Música na Madrugada: Brahms, Sonata para Piano No. 2


Primeiro e Segundo Movimentos


Terceiro Movimento


Quarto Movimento

13/12/2009 at 4:03 am Deixe um comentário

Valsa com Bashir

Valsa com Bashir, filme de 2008 sobre a Guerra Civil Libanesa de 1982, é, encurtando a descrição, um filme sobre o sofrimento psicológico causado pela guerra e a estupidez humana.

Em animação, o filme acompanha a vida de um cineasta, que, após conversa com um velho amigo, começa uma busca interior por suas memórias da guerra, inexistentes. Ao longo de sua busca, ele viaja para o encontro de velhos amigos que serviram juntamente a ele no exército. Os diálogos e relatos de cada uma das pessoas com quem ele se encontra são duros e em todos eles podemos perceber uma marca comum: as cicatrizes deixadas pela guerra, o que me fez chegar à conclusão de que o filme se passa muito mais em um nível psicanalítico do que em qualquer outro nível.

É impossível assistir a Valsa com Bashir e não querer compará-lo com pelo menos outros dois filmes: Apocalipse Now (Coppola) e Nascido Para Matar (Kubrick). Não, Valsa com Bashir não apresenta fortes semelhanças com nenhum desses dois filmes. A linguagem e o nível de granularidade dos acontecimentos é muito menor em ‘Valsa’. O palco para a encenação de ‘Valsa’ é a cabeça de um homem perplexo por não haver bloqueado todas as suas memórias da guerra. Embora Nascido Para Matar e Apocalipse Now flertem com um dos caminhos de ‘Valsa’ – o da estupidez humana de que se trata a guerra, esteticamente, como já falei, eles funcionam em níveis bastante distintos.

No fim do dia, Valsa com Bashir foi o filme que mais efetivamente me pareceu representar a ideia anti-guerra e o moto-perpétuo da máquina de intolerância humana frente ao diferente em um nível universal, enquanto que Apocalipse Now e Nascido Para Matar ficam presos a um contexto específico (Vietnã). Trata-se de um filme duro e que força a reflexão. Uma ótima escolha, se você está disposto.

12/12/2009 at 10:16 pm Deixe um comentário

Rezar surte algum efeito?

Ontem à noite li em alguma esquina dessas da internet a seguinte citação: “Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor.” (Prov. 19.21). Tive, imediatamente, o impulso de responder mas hesitei. Se alguém é feliz acreditando nisso, que tenho eu com isso, não é mesmo?

Acordei hoje pensando na frase e lembrei, meio que por acaso, do brilhante texto de George Carlin ‘Religion is Bullshit’, onde põe no lugar de deus o ator Joe Pesci, famoso pela interpretação de papeis de caras durões no cinema. Fala, hilariamente, que “Joe Pesci gets things done (…) [and] it’s amazing what you can achieve with a baseball bat”. Carlin termina falando que a mesma proporção de vezes em que suas preces são atendidas por Joe Pesci é a de que suas preces foram atendidas por deus, 50%. No final, trata-se de uma questão de puro acaso. O que acontece é que há justificativa para tudo. Se deus não atende, é porque não era de sua vontade. Se “atende”, é a ‘Graça de Deus’. O fato é que toda a valoração de se uma prece foi atendida ou não e se ela foi atendida por um deus ou pelo curso normal dos eventos,  é uma valoração humana e sujeita à natureza inclinada à fé e ao faz-de-contas dos homens.

Leiamos novamente a citação inicial. Lembro claramente, da época de catecismo, que deus possui um Plano Divino. Acredito que, desta citação de Provérbios, se faça alusão a justamente este plano. Se deus é perfeito e tudo que cria é perfeito, conclui-se que seu plano também deva ser perfeito. ‘Plano Divino’ possui, de fato, toda a pompa de ser algo perfeito.

Continuemos.

A conclusão natural é a seguinte: não adianta rezar. Quem somos nós para querermos interferir no plano divino de deus? E qual é o sentido de um plano divino se ele está susceptível ao egoísmo de cada um dos cristãos?, esse povo que trata sua divindade como Help Desk. Partindo novamente do fato de deus ser uma entidade perfeita e considerar-se, como ponto pacífico, que dessa entidade emanou tudo, inclusive as regras de funcionamento de todas as ciências que o homem até agora estabeleceu, há, também, uma via por onde rezar não faz sentido. Qual é o sentido de uma entidade criar leis naturais perfeitas só para ser obrigada a mudá-las para satisfazer as vontades mesquinhas de um mero ser humano?

Nos dois casos, quebra de leis naturais e ruptura do curso do plano divino, os próprios acontecimentos (a quebra) já seriam sinalizadores de que nem as leis nem o plano são perfeitos. Ora, se são perfeitos, não devem estar sujeitos a mudanças, pois não necessitariam. Por que rezar, então? Rezar não faz sentido algum. Bem, façamos justiça, acredito que haja efeitos sob a mesma pessoa que reza mas, neste caso, devemos notar que a grande parte das pessoas que rezam efetivamente acreditam que uma entidade terceira (deus, no caso) irá fazer suas compras, arranjar-lhe um namorado, um marido, matar alguém de doença, proteger políticos corruptos (…) ad infinitum.

Há, além do mais, um outro questionamento moral. Suponhamos que deus atende a preces por um instante só. Se ele atende, porque não acaba com a fome da África? Veja bem que não estou aqui dizendo que o suposto deus é o responsável por isso. A pergunta é sã e faz sentido. Lembre que crianças que passam fome também rezam. Por que o problema delas não é solucionado? E você aí que acredita no poder da reza. Por que você acha que deus deveria ouvir você em vez de uma criança que passa fome? Você se considera tão melhor e mais necessitado de ajuda do que um ser humano faminto e tratado como lixo? Se você usa a lógica, já percebeu que rezar não faz nenhum sentido. E essas pessoas que rezam deveriam ter vergonha de fazê-lo, sabendo da existência de pessoas com necessidades muito mais urgentes. É uma questão de ética.

P.S.: Não há casos de amputados cujo membro se regenerou. Tenho certeza que há amputados cristãos que rezam e pedem isso em suas preces. Por que será que até hoje nenhum caso de regeneração de membros foi registrado?

11/12/2009 at 2:24 pm 3 comentários

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