Archive for julho, 2008

Mágica?

Diante do fenômeno de adoração aO Teatro Mágico e da polêmica gerada pelos problemas entre a produção do show aqui em Natal e uma banda local, resolvi pesquisar mais sobre o ‘grupo’. Há algo que verdadeiramente me incomoda n’O Teatro Mágico. O problema, para mim, é tão sério e me incomoda de uma maneira tão imensa que temo não ser claro o suficiente em minha tentativa de explicá-lo.

Tudo começa pelo nome. O nome já é suficiente para incomodar – “O Teatro Mágico”. Quem ouve o nome assim ao ar não imagina do que se trata. Acredito que na primeira vez que ouvi imaginei que era uma peça de teatro ou algo do gênero. Ao ver em frente aos meus olhos, de verdade, nos primeiros segundos, achava que era uma cópia mal feita do Cirque du Soleil. Ao continuar ouvindo percebi que era uma suposta ‘MPB’ (no pior dos sentidos que essas três letras em sigla tenham a capacidade de reduzir e cercear a amplitude da grande música de um país continental como o nosso), na esteira, do que nos últimos anos temos visto de falta de inovação, repetição de linguagem e falta de criatividade.

Outra coisa é a maquiagem. Sim, maquiagem e circense. Maquiagem que está, a meu ver, em um sentido mais amplo. Maquiam, na verdade, uma musiqueta de baixíssimo nível com trajes de “maman, je veux être avant-garde” que traga um grande números de pessoas que tomam seu consumo (sim, consumo) de arte como uma faceta de sua propaganda pessoal, seu networking – o que nos leva ao próximo ponto.

O slogan. Gastei alguns minutos em uma comunidade do Orkut lendo alguns tópicos em uma comunidade de fãs até que constatei que vários membros tinham aplicado maquiagens circenses – especialmente para colocarem em suas fotos dos perfis do Orkut, imagino. Na maioria das fotos havia um logotipo d’O Teatro Mágico. Um pouco como o branding feito no gado a fim de estampar a marca do dono, não? O slogan que a maioria das pessoas utiliza é o de “Só para Raros“. Neste ponto tenho que reconhecer a grandeza de marketing de quem quer que esteja por trás do grupo. É clássico no mundo ocidental que as pessoas se sintam bem e superiores às outras se aceitas em um grupo.

Ainda mais se o grupo se considera superior por algum motivo ou critério qualquer. Só para Raros… Genial, mesmo. É similar ao efeito que as pessoas que pertencem a grupos religiosos procuram. A sensação de pertencer a um clubinho especial. Os escolhidos. Eu, pessoalmente, estou farto das mil e uma maneiras que a “Western Civilization” tem criado e recriado para segregar as pessoas em vez de uni-las.

O fenômeno d’O Teatro Mágico é, para mim, sintoma de um grande mal de nossa sociedade: a falta de acesso à cultura de qualidade. Como esse acesso não é possível e os meios de comunicação estão abarrotados de uma música que desafia o conceito de música propriamente dita, qualquer coisa que saia o mínimo possível da normalidade emburrecente é automaticamente posta em um altar e adorada como arauto do porvir de uma cultura mais elevada. O único mérito dO Teatro Mágico é ser melhor do que o que toca na maioria da mídia, o que não é difícil.

Vejam na prática: http://www.oteatromagico.mus.br/novo/blogs/view/213

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19/07/2008 at 12:54 am 3 comentários


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