Archive for dezembro, 2007

Amores não-vividos

“…Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar…”
Chico Buarque

Para onde vão os amores não-vividos?

Onde será que habitam as criaturas do mundo das possibilidades? Serão elas como nós? Será que do lado de cá há também outras possibilidades concretas para nós e não-concretas para elas?

Para onde vai aquele beijo não-dado? O afago nos cabelos? As palavras de carinho que nunca foram ditas mas que foram ensaiadas mentalmente tantas vezes?… O tempo trata de acalantar nosso espírito do sofrimento de toda a expectativa que os amores possíveis causam, mas basta uma ligação, um mero olhar. Qualquer ato cheio de silêncio… Silêncio cheio de significados… um silêncio daqueles que varrem nosso cérebro à procura daquilo que só achamos quando não procuramos de propósito. Que só achamos quando o silêncio cheio de beijos não-dados e palavras não-ditas nos enche o espírito e nos inflamos como balões de hélio e voamos aos céus.

E o que fazer se ainda não for a hora? E se dois possíveis amantes nunca souberem que seu amor é possível?

(…)

Ah!, mas o tempo trata de dar o seu jeito e nos acalenta novamente. E para algum lugar de nós essas lembranças dançam e se escondem noutro lugar e nunca morrem. Estarão sempre lá prontas para serem recolhidas quando aquele vento soprar…

E não esperamos sempre secretamente que ele sopre?

26/12/2007 at 4:43 am 7 comentários


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