Archive for agosto, 2007

Segundas impressões

Engraçado como passamos a vida toda ouvindo que os países de primeiro mundo são lugares sem problemas, totalmente organizados, limpos e ricos. Às vezes é impressionante como não temos noção de a que isso corresponde na realidade. Eu já tinha visitado países desenvolvidos antes para estudar e turistar, mas só agora que me mudei e começo a vivenciar a rotina que tenho uma visão clara de como é viver aqui.

Lembro-me de uma vez estar na fila de um supermercado no Brasil quando uma mulher não conseguiu passar o cartão de crédito por alguma razão e soltou este jargão: “Isso é coisa de TERCEIRO MUNDO”. Hoje tenho certeza que quem fala uma coisa dessa NUNCA esteve no primeiro.

Atualmente o Canadá é considerado o primeiro mundo dos primeiros mundos. Vancouver reveza com algumas cidades da Escandinávia o título de melhor qualidade de vida do planeta ano após ano. Isso não impede que acontençam certas coisas por aqui. Aqui em Hamilton, cidade universitária com menos de 500 mil habitantes, você pode ver gramados em vias públicas cobertos de resto de cigarro. Pode ter certeza de que não fomos nós, bárbaros do terceiro mundo, que deixamos nosso rastro lá. Aqui você nunca vai ver uma fossa aberta na rua, mas não vamos mistificar as coisas, aqui também existe gente que joga lixo na rua, e gente que não joga.

Aqui tudo é moderno e rico. O sistema de transporte é bom, os cinemas são modernos, eletrônicos de primeira linha em toda parte. Mas foi na universidade que eu senti o peso do primeiro mundo. Os alunos que fizeram pesquisa de verão (summer research) aprensentaram seus trabalhos diante uma platéia pequena antes do começo das aulas de outono. O nível dos trabalhos não é tão superior aos da UFRN, pelo menos na área tecnológica. Porém há certas coisas que fazem a diferença. O número de pesquisas e a variedade dos temas é surpreendente. Tem pesquisa sobre tudo por aqui. E a estrutura é uma covardia.

A quantidade de dinheiro que a universidade tem é um absurdo. Aqui tem quatro bibliotecas, duas delas com quatro andares, e os alunos podem pegar emprestados quantos livros quiserem. Os livros, é claro, os melhores e mais novos e em grande número. O centro esportivo (Athletic Center) deve ter o tamanho de três Hi-Fits de Natal ou mais, e um estádio(!) está centro construído. Há laboratórios de computadores em todo lugar, e internet wireless em qualquer lugar do campus. Os laboratórios de pesquisa são grandes e modernos, e até um reator nuclear imenso para pesquisa vi por aqui. O hospital universitário é um dos mais conceituados do país, e certos tratamentos (neurológicos principalmente) só existem neles.

Aqui tudo se faz pelo estudante. Querendo, você pode morar no campus, comer no campus, fazer feira no campus, ir para a balada no campus, ir ao hospital. Tudo que uma pessoa pode querer, sem nunca sair de dentro da universidade. Para entreterimento tem até boate e palco para bandas em lugar fechado (com bebida liberado para maiores de 19!!!).

Agora, uma coisa é certa, aluno ruim não é coisa de terceiro mundo. Alguns professores aqui proíbem o uso de laptops na sala porque uma parte dos alunos ficava andando pela internet durante a aula. Na seleção de mestrado, não se conta notas do primeiro ano porque as notas são desastrosas. Por aí vai…

O material humano não tem muita diferença entre os dois países. Ninguém é mais capaz porque nasceu no Canadá ou no Brasil. É tudo uma questão de oportunidade. Cada povo têm suas dificuldades e suas vantagens, cabe a nós superár-las em vez de ficarmos parados pensando que não tivemos chance.

Texto originalmente postado por Vítor Santos em http://maodupla.blogspot.com/

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26/08/2007 at 5:53 am 6 comentários


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