Archive for junho, 2007

Sindicato dos Heróis

Tenho contabilizado observações sobre o meio no qual vivo, atos das pessoas com quem divido espaço. Tomo o cuidado de não concluir e julgar imediatamente, há algum tempo tenho simplesmente coletado impressões sempre relacionadas à pergunta ” Por que as pessoas fazem isso?”. O resultado tem sido, cada vez mais, eu me sentir como o Homem Aranha: “Grandes poderes levam a grandes responsabilidades”; pois percebo como, de um modo geral, pouquíssimas pessoas entendem e acionam a idéia da total interligação que existe entre os atos de todos os indivíduos de uma sociedade.As minhas observações me levam a visualizar uma “natural decadência” baseada no aumento exponencial de todos os males como corrupção, violência e desrespeito. Pessimismo? De forma alguma, instintos-aranha detectando principalmente covardia, ignorância e medo. Preciso fundar uma liga de heróis urgentemente.

Considero que alguém que sabe de algo automaticamente é responsavel pelos demais que não sabem, certo?; tomemos um exemplo simples da pessoa um pouco mais experiente observando um amigo universitário ingenuamente não estudando e sempre bebendo ” um pouquinho” a mais que um ser humano normal; e o exemplo do estudante de química observando amigos desavisadamente prestes a misturar ácido sulfúrico e glicerina. É óbvio que o natural é intervir.

No segundo caso, a explosão e danos imediatos da reação são argumentos prontamente aceitos pelos amigos desavisados, e bem provavelmente, respeitarão esse conhecimento e passarão a fazer parte do grupo daqueles que sabem e cuidam do bem comum, afinal, com exceção dos adolescentes psicopatas norte americanos, poucas pessoas gostam de ver pedaços de carne, ossos e membros humanos espalhados por aí.

Já no primeiro caso, é um pouco diferente. A velocidade e danos imediatos são subjetivos, bem mais distantes do momento atual e o fator de prepotência “eu sei o que estou fazendo, a vida é minha” é bem mais forte em função disso; o indivíduo tornar-se um alcólotra e um péssimo profissional é algo muito distante e não comprovável cientificamente. Perceba que o fator de prepotência também está presente no sujeito manuseando dinamite, mas ele simplesmente não vai querer “pagar para ver” os efeitos do trinitro tolueno.

Aí entra meu dossiê de observações do meio e minha ansiedade em intervir, fundar uma liga de heróis por calcular o seguinte: poucos vêem o que vejo(com a mesma gravidade), um grupo ainda menor pode fazer alguma coisa, e finalmente um grupo ainda menor que esses tem vontade de agir. Tem uma galera perdida aí e quem enxerga e pode vai ter que pegar pela mão pra conduzir a todos para algo melhor.

Afinal, ” Por que as pessoas fazem certas coisas?”

Os banheiros. É desesperador. Eu perdi as contas de quantas vezes puxei descarga de privadas que não usei; e, olha, eu frequento locais por onde circulam pessoas que teoricamente foram educadas, passaram por boas escolas. Nossos cidadãos educados e civilizados são tão idiotamente selvagens que administrações de shopings precisam pagar para uma pobre alma assumir o emprego de vigia de banheiro! Me corta o coração ver aquela pessoa passar horas dentro do banheiro tomando conta de verdadeiros babuínos bem vestidos.

E o tratamento com prestadores de serviços, garçons, atendentes de lojas de conveniência, etc.? “Civilizados” ao entrarem em uma loja (sic) “-ME DÊ UM CARLTON” . No mesmo ambiente um outro babuíno refinado estava falando absurdamente alto no celular um assunto completamente trivial ( eu não tive opção de NÃO ouvir), levanta-se e fala para a atendente (sic)”- ONDE TEM BANHEIRO?”. Como assim??? Será que ele trata a mãe dele assim? Certamente.

E o lixo ( copinhos descartáveis, plasticos de balas, etc.)? Quantas vezes não vi sair de um belo carro uma mãozinha com a unha impecavelmente bem feita, jogar fora um “lixinho despretencioso” e depois imediatamente sumir por tras do vidro com película?
É ignóbil.

E o pobre infeliz do show para o qual nosso amigo Gabriel foi? Tem como ensinar alguma coisa pra ele? Claro que não! Ele não enxerga além dele. Todo o espaço que ele ocupa é só dele.

Claro, isso sem falar nos vereadores que se vendem, no Renan e sua amante, nos Pastores Satânicos da Indústria “Fiel” da Fé.

É um mal generalizado que está em pequenos e grandes atos. É tolice não reconhecer a interligação de tudo…mas….

Quem vai fazer alguma coisa?
“Santa estupidez humana, Batman!”

PS:(IMPORTANTE): Uma leitora do Blog usou a palavra “lamentar” se referindo a este texto, cabe uma explicação: Não lamento coisa alguma, acho tragicomico e perfeitamente justo. A caravana passa e os cães latem.

Texto originalmente publicado por Renzo Torrecuso em http://maodupla.blogspot.com/

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18/06/2007 at 2:02 pm 10 comentários


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