Archive for julho, 2006

Células-tronco e seus opositores

O debate sobre a pesquisa de células-tronco embrionária anda acalorado ultimamente. Duas notícias me chamaram muito a atenção: o veto de Bush à pesquisa americana de células-tronco e a declaração do Vaticano de que a pesquisa de células-tronco é “macabra”.

A Igreja Católica é uma instituição que “está aí” há bastante tempo. Deve ser por isso que já sofre de alguns problemas da velhice, como as falhas de memória. Na semana passada, dia 25 de Julho de 2006, o Vaticano divulgou no seu jornal oficial – L’Osservatore Romano – sua posição contra a pesquisa com células-tronco embrionárias classificando-a como “macabra”. Eu seriamente gostaria de saber se é mais ou menos macabra que as “bruxas” da Inquisição.

Apesar de tantos anos de História, a Igreja ainda não conseguiu assumir uma coisa simples: que até agora não contribuiu em nada para a humanidade, pelo contrário, condenou cientistas e freou constantemente o progresso científico-tecnológico. O engraçado é que esse progresso todos os homens-de-fé do Vaticano devem usufruir e duvido muito que eles queiram abdicar de tudo que a ciência fez para salvar vidas e aumentar a nossa qualidade de vida. Da energia elétrica à aspirina, incontáveis contribuições existem no nosso dia-a-dia. Muitas delas baseadas em leis descobertas por cientistas que por vezes foram mortos para não abrirem mão de sua honra e descobertas.

E Bush, o caubói do mundo, comete o equívoco de impor sua visão de mundo acima da sua posição de presidente de uma nação – especialmente dos EUA. Outra ironia fina, o caso de George W. Bush Jr. O líder mais belicista do mundo agora quer posar de preocupado com “vidas” embrionárias. Será que se os iraquianos fossem embriões gigantes ele não teria investido militarmente? Fica aí a questão.

Vivemos num mundo que é pura contradição. Difícil de entender e de aceitar que o número daqueles que empurram a parede do progresso para adiante é sempre muito menor do que o daqueles que seguram-no com todas as forças para que não seja demolido.

Mas, como diria Galileu Galilei, “Epur, si muove”. Apesar de tudo isso, ainda bem que o progresso “si muove”, assim como nossa casa, o planeta Terra.

Fontes de interesse para leitura:

Pesquisa com células-tronco embrionárias é “macabra”, diz Vaticano
Stem Cell Work Gets States’ Aid After Bush Veto
Stephen Hawking critica EUA e UE por postura sobre células-tronco

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31/07/2006 at 3:08 am 5 comentários

Mais uma do Sagan

Pode-se imaginar um observador extraterrestre severo olhando a nossa espécie com desprezo durante todo o tempo, enquanto tagarelávamos animadamente: O Universo criado pra nós! Somos o centro! Tudo nos rende homenagem! E concluído que nossas pretensões são divertidas, nossas aspirações patéticas e que este deve ser o planeta dos idiotas.

Carl Sagan

30/07/2006 at 6:42 pm 1 comentário

Sagan e a morte

“I would love to believe that when I die I will live again, that some thinking, feeling, remembering part of me will continue. But much as I want to believe that, and despite the ancient and worldwide cultural traditions that assert an afterlife, I know of nothing to suggest that it is more than wishful thinking. The world is so exquisite with so much love and moral depth, that there is no reason to deceive ourselves with pretty stories for which there’s little good evidence. Far better it seems to me, in our vulnerability, is to look death in the eye and to be grateful every day for the brief but magnificent opportunity that life provides.”

Carl Sagan, Billions and Billions, p. 215

16/07/2006 at 11:09 pm Deixe um comentário

Instinto Assassino

O homem não difere dos outros animais apenas pelo fato de possuir consciência de sua existência. Difere também por duas coisas: sua capacidade de destruir o próprio habitat e de matar os de sua própria espécie.

No domingo 2 de Julho de 2006 pude sentir na pele qual impulso destrutor. Explico: saí às 6:30 para um treino (para quem não sabe, eu sou [tento ser] triatleta) longo. Encontro com o meu parceiro de treino no Posto Shell da Rota do Sol e seguimos dispostos a fazer um treino de mais de 100km. O dia estava bonito e eu me sentia muito à vontade.

Até que, ao chegarmos à primeira subida do percurso (subida de Pirangi após a Toca do Caranguejo), no exato momento em que começo a pedalar em pé, ouço uma buzina de carro já muito próximo de mim e menos que um segundo depois sou atingido pelo retrovisor do carro no
meu braço esquerdo, caindo no chão logo em seguida. Lembro-me de ter gritado ao meu parceiro de treino uma ou duas vezes e depois ter tentado olhar a placa do carro sem sucesso – o carro já estava desaparecendo no topo da ladeira. Estimo que o carro estivesse a uns 100km/h.

Além de me acertar, o motorista ainda passa rente ao meu colega. Levanto e percebo que, além do retrovisor estar no chão ao meu lado, estou vivo, mas meu braço não parece bom, não consigo dobrá-lo. Ligo para que o meu pai venha me buscar e alguns locais (a quem sou muito grato) me ajudaram bastante, fazendo parar uma kombi e pedindo para que me prestassem socorro. Fui ao posto de saúde de Pirangi e esperei a chegada do meu pai.

Resumo da ópera: 60 dias sem treinar, fratura do rádio e trauma e hematoma na região do úmero e cotovelo, escoriações, um criminoso impune e a incrível sensação de impotência diante de toneladas de metal conduzidas por um animal que não faz idéia do quanto uma vida vale.

10/07/2006 at 8:22 pm 3 comentários


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