Archive for maio, 2005

"Homem, irado demais!!! Blood Avenger!!!" e a filosofia-do-vaqueiro.

Quem nunca se deparou com um metaleiro radical anormalmente chato?
Foi assim que começou a saga do metaleiro Uílame – que nome escroto haha – onde em seu primeiro “episódio” (se é que podemos chamar assim) enche o saco de alguém enquanto está na fila para o show da banda Angra.

Acho que Ticiano D’Amore, criador do personagem e da banda fictícia (que, aliás, já foi montada, dizem) não imaginava a repercussão que o metaleiro Uílame iria ter. Os mp3 se espalaram rapidamente na internet utilizando-se somente de um “boca-a-boca” virtual.

Em resumo, o nosso caro Uílame é um camarada que possui uma linguagem altamente local. Usa e abusa de todo o repertório de gírias natalenses. Então, o que é que explica o sucesso do Uílame? Eu não sei explicar. Talvez por toda parte as pessoas identifiquem o personagem a algum amigo. Afinal, há metaleiros chatos por toda a parte.

Mas não é só por conta das peculiaridades que o metaleiro Uílame e o Blood Avenger são interessantes. Outro detalhe é a visível crítica à alienação musical dos metaleiros, que mais parecem seguidores da Igreja Universal do Reino de Deus no tocante ao seu gosto musical. Possuem sempre o melhor gosto e só o que é bom é o que é metal. No final, se colocam dentro de uma redoma cultural onde todos respiram o mesmo ar e evitam contato com qualquer outro tipo de opinião. A partir daí são visíveis fenômenos interessantes tais como andar de preto nas ruas em pleno meio dia, meninas com maquiagem pesada, coturnos, jeitão de “malandro-evil-from-hell-psychotic-i’mgonnakillyou”, Byronistas que nunca leram uma só obra de Lord Byron… a lista é imensa.

O que é mais engraçado é que também existe o grupo dos metaleiros que não se vestem “a caráter” e não habitam as praças de alimentação dos shoppings centers. Neles, há a presença de clichés bem interessantes que talvez sejam um puro preconceito meu mas creio que haja uma interseção entre o grupo ‘metaleiro’ e os forrozeiros no quesito ‘beber até cair’, por exemplo. Há uma verdadeira adoração ao álcool e um orgulho intrínseco que todos devem sentir ao ficarem ‘lixo’. É puro glamour. E ai de quem não goste de beber: é taxado de inúmeros adjetivos pejorativos que não vou fazer o favor de listar.

É o que chamo de ‘filosofia-do-vaqueiro’. Os forrozeiros cultuam o álcool e os efeitos desastrosos de seu consumo em altas quantidades há muito mais tempo que o segundo grupo (metaleiros forrozeiros). O estranho é perceber, com o tempo, que os dois grupos se parecem mais do que aparenta.

Ah, e para quem não sabe, Ticiano D’Amore é guitarrista das bandas Kassava e Apollo 11 e dentro de um mês o site oficial do Blood Avenger entrará no ar.

09/05/2005 at 11:14 pm 10 comentários

O Sétimo Selo, Existencialismo e vida após a morte.

Estava eu refletindo sobre o que escrever aqui. Escrever por escrever não faria o mínimo sentido. Escrever alguma coisa que valha a pena ser lida creio que seja o ideal. E, assim, pensei um tempão pensando sobre o que escrever aqui até que assisti um filme: “O Sétimo Selo” de Ingmar Bergman, famosíssimo diretor sueco. Depois de ter assistido o filme parece que uma série de coincidências foi acontecendo – todas relacionadas à discussão do filme – e se eu não escrever sobre ele parece que eu estarei deixando alguma coisa passar batida.

O filme conta a história de um cavaleiro medieval que, após chegar das cruzadas, dá de cara com a Morte. A Morte – Bengt Ekerot o aborda e lhe indaga se ele está pronto para morrer, pois sua hora houvera chegado. O cavaleiro, então, se recusa a morrer sem antes entender o sentido da vida (“Meu corpo está pronto mas minha alma não está”) e desafia a Morte para um jogo de xadrez que se desenrola durante todo o filme.

A partir daí, o cavaleiro – Antonius Block -, interpretado por Max von Sydow, parte em sua jornada de volta à casa de sua esposa junto ao seu squire Jöns. No meio do caminho eles conhecem diversas pessoas e elas se juntam em uma só jornada onde por toda parte lidam com a morte – a peste negra está dizimando muitos por toda a Europa.

Não vou contar tanto do filme pois o mais interessante, na minha opinião, é ver o filme com o mínimo de informação possível.

O que é mais interessante é a extrema curiosidade e inquietação do cavaleiro ao tentar compreender o sentido da vida e a também extrema curiosidade da Morte em entender aquele homem.

Uma citação do filme me chamou muito a atenção:

“Faith is a torment. It is like loving someone who is out there in the darkness but never appears, no matter how loudly you call.” Antonius

A dúvida cruel do cavaleiro: viver uma vida sem sentido ou crer mesmo duvidando de tudo? Vale a pena viver sem acreditar em nada? Qual o sentido então de passar por tudo que passamos? É incrível como me identifico com esse questionamento.

É um filme existencialista. Pelo que li de críticas, associam muito o existencialismo desse filme ao de Søren Kierkegaard, que, diferentemente do de Sartre, Heidegger ou Nietzsche, possui a idéia de religião associada a ele. Mas não entro nessa discussão por falta de conhecimento. Aliás, não deveria nem ter escrito esse texto mas me atrevo.

A coincidência foi que hoje ao receber a revista Veja me deparei com uma capa falando sobre a vida após a morte e foi impossível para mim não ligar uma coisa com a outra. Será que a crença na vida após a morte não é mais uma maneira de não encarar o problema fundamental de toda a filosofia?

08/05/2005 at 8:55 pm 7 comentários

Olá,

um post inicial só pra tentar explicar – digo tentar pois nem eu sei bem o que vai ser escrito por aqui – o que seria esse blog.
Creio que a idéia básica é a de se escrever coisas aleatórias sobre música, cinema, curiosidades de internet, humor negro ou qualquer outra coisa que chame a atenção.
O nome é Mão Dupla pela idéia que me foi dada pela Layanna e que nem sei se ela vai participar ou não disso aqui, né Lay? Espero que ela aceite o convite.
Se ela aceitar o nome faz sentido. Mão Dupla pois seriam duas opiniões para cada assunto abordado.

Post ridículo só pra encher um pouco a primeira página e testar os templates.

[]’s

06/05/2005 at 2:05 am 4 comentários


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